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INTRODUÇÃO
Desde o início dos tempos o homem vem procurando novos horizontes,
aventuras
e conquistas e o nosso esporte é atingido diretamente por
esta característica.
Com o passar dos tempos muitas ascensões foram feitas em
milhares de montanhas em todos os cantos dos continentes, por diversos
motivos, seja militar, científico ou simplesmente para contemplar
a natureza. Porém, nem todas de forma a serem repetidas.
Quando alguém se propõe a realizar uma conquista e
pretende que outras pessoas possam repetir "sua Via" com
segurança, é bom fornecer bons croquis, de fácil
entendimento, e sempre que possível um relatório do
desenvolvimento da (ou das) investida(s).
Dependendo do estilo da via, podemos dizer quem a conquistou, através
da simples observação do seu desenvolvimento, portanto
é como se fosse a assinatura do seu conquistador. Sendo assim
independente de como será conquistada, devemos considerar
vários itens, principalmente os padrões de qualidade
e segurança, mantendo o bom senso e o estilo do lugar onde
será realizada.
O fato é que os homens, sempre estarão procurando
novos desafios nas montanhas, seja por aventura ou talvez simplesmente
por que elas estão lá. E é exatamente aí
que muitos se enganam, pois na verdade ela nunca será conquistada,
sempre esteve lá e vai continuar estando por muito tempo.
Cada cume que temos a felicidade de chegar na realidade não
é uma conquista, e sim uma oportunidade que a própria
montanha (ou via) ironicamente nos dá, seja ela fácil
ou difícil.
EQUIPAMENTO
O equipamento deverá ser bem organizado e estar em boas condições
de uso, para que, no momento de sua utilização, seja
bem aplicado sem maiores dificuldades. Tanto o equipamento de proteção
fixo quanto o móvel, deverá ser bem utilizado com
rapidez e eficiência.
Observações iniciais:
A rigor não há regras rígidas a serem seguidas
em conquistas. A diversidade de situações com que
um escalador pode se deparar em uma parede virgem somada a quantidade
de soluções que ele, com sua criatividade e estilo,
pode encontrar para vencer os lances, tornam qualquer tentativa
de padronização de procedimentos ineficaz e indesejável.
Isto vale por exemplo para a distância entre os grampos e
o tipo de proteção utilizada.
É comum ocorrer, no entanto, que determinadas escaladas apresentem
problemas
"técnicos" que surgem não como conseqüência
do estilo da via, mas por desatenção ou falta de informação
do conquistador. Assim sendo, ele acaba cometendo erros não
intencionais que podem causar problemas não previstos por
ele a outras cordadas no futuro.
Desta Forma o objetivo destas recomendações é
fazer com que os escaladores que estão conquistando uma nova
via se lembrem de alguns princípios que tornarão a
sua conquista tecnicamente "mais eficiente", beneficiando
assim a todos. Não estamos aqui criando normas ou leis, pois
a FEMERJ defende o direito autoral de conquista e considera a palavra
dos conquistadores soberana em relação a forma final
da via que conquistaram. Trata-se apenas de reforçar a lembrança
de alguns bons princípios técnicos que, como dito
acima, podem ajudar a tornar a via conquistada mais interessante
e com menos "armadilhas".
Por fim gostaríamos de lembrar que estas notas NÃO
tem como objetivo ensinar a conquistar vias de escalada. Tal aprendizado
é um processo longo e difícil, que deve ser feito
com o acompanhamento de pessoas experientes.
Recomendações:
I - Procure posicionar os grampos de modo a minimizar o atrito
da corda, colocando cada um tão diretamente acima do anterior
quanto possível.
II - Não tenha preguiça de fazer ajustes na via depois
de passar nos lances. Por exemplo: muitas vezes se faz um lance
mais longo na impossibilidade de se parar para bater um grampo,
e o lance permanece assim, mesmo que isto não tenha sido
planejado por você. O resultado é que lances mais delicados
ficam sem proteção. Não é anti-ético,
e nem representa qualquer demérito, o conquistador reposicionar
ou densificar a proteção depois de conquistado o lance.
III - Bata grampos onde a rocha é mais sólida. Procure
mantê-los longe de trechos de rocha em decomposição
e obviamente de lacas de pedra. Evite também batê-los
imediatamente acima de agarras ou aderências utilizáveis,
para que estas não fiquem inacessíveis, dificultando
o lance.
IV - Em fendas, use sempre proteção móvel.
As únicas exceções a esta regra são
aquelas fendas cobertas por vegetação ou que apresentam
suas paredes em decomposição, que tornam impossível
a colocação de proteções seguras. Proteções
móveis também podem ser usadas com eficiência
em outras situações, como é o caso de hexentrics
em "copinhos" de calcário; fitas ou cordinhas passadas
em torno de lacas ou bicos de pedra; e tricams e friends em buracos.
V - Posicione os grampos de modo que o comprimento normal de uma
costura seja suficiente para evitar que a corda arraste em arestas
agudas.
VI - Leve em consideração o posicionamento das agarras
e do escalador que vai colocar a costura ao repetir a via. Se ele
puder costurar de uma posição confortável,
em boas agarras e sem a necessidade de se esticar excessivamente,
melhor.
VII - Cortar quedas de fator 2 tão rápido quanto possível,
colocando a primeira proteção não muito distante
da saída da parada. Isto protege todo o sistema de segurança
em caso de queda.
VIII - Considerar o uso de paradas duplas quando necessário.
Este foi um assunto gerador de muitas polêmicas ao longo dos
últimos anos. No entanto, a experiência pessoal e o
histórico das vias estabelecidas há anos levam tradicionalmente
os conquistadores mais experientes a avaliar caso a caso esta necessidade.
Fatores como a inclinação da parede, a qualidade da
rocha, o tipo de proteção utilizada e obviamente estilo
influem nesta decisão. Leve-os em consideração
e, em dúvida, peça a opinião de outros escaldares
experientes.
IX - Lembre-se: Grampos de 3/8", "5/16" e 1/4"
NÃO são considerados proteções "a
prova de bomba" como os grampos de 1/2" e chapeletas.
X - Sempre que possível coloque as proteções
em locais de fácil identificação visual, evitando
locais encobertos pela vegetação ou pela própria
rocha.
XI - Boa proteção próximo a base, platô,
aresta, ou algo que possa colocar em risco a segurança do
escalador numa eventual queda.
XII - Procurar o melhor ponto de parada possível. Platôs,
por exemplo, são pontos naturais onde se faz uma parada,
mesmo que as vezes estejam a uma distância menor do que o
comprimento da corda. Lugares protegidos de quedas de pedra também
devem receber prioridade, assim como pontos onde guia e participante
não percam contato visual ou de voz.
XIII - Não destruir vegetação existente, de
espécie alguma. Ao fazer uma conquista, evite os locais com
muita vegetação, pois a flora rupícola (aquela
que ocorre nas paredes rochosas) é muito frágil e,
com freqüência, inclui espécies raras e endêmicas.
Evite também bater grampos apoiado em platôs de vegetação,
pois com o uso contínuo eles podem se soltar e cair, prejudicando
a escalada e gerando um óbvio impacto ambiental.
XIV - Em hipótese alguma cave ou quebre agarras, ou aplique
agarras artificiais em paredes naturais, pois isso significa uma
descaracterização permanente e definitiva das mesmas.
XV - Ao usar grampos ou chapeletas, sempre dê preferência
aos de aço inoxidável, pois isso evitará o
trabalho, e a despesa, de trocá-los com freqüência,
além de preservar a superfície das paredes rochosas
de furos desnecessários e das inconfundíveis marcas
de ferrugem.
XVI - Grampos devem ser batidos até o ponto em que o seu
olhal encoste na pedra. Se o olhal não encostar na pedra,
isso gera um perigoso efeito alavanca, que pode comprometer a segurança.
Por outro lado, não cave um sulco para que o olhal "entre"
na parede nos casos em que o furo ficar muito longo, pois isto,
além de não aumentar em nada a segurança, danifica
uma superfície de rocha muito maior do que o necessário.
XVII - Faça um croqui oficial de sua conquista e divulgue
no site da FEMERJ, que mantém uma croquiteca digital do estado
do Rio de Janeiro para este fim. No croqui oficial você registra
a configuração que deseja para sua escalada e os nomes
dos conquistadores - além, é claro, de divulgá-la
para a comunidade.
FINALIZAÇÃO DA CONQUISTA
Ao considerarmos uma via como finalizada, devemos estar certos da
qualidade total de seu desenvolvimento, pontos de proteção,
paradas, distância entre lances, etc. Por esta razão
é sempre bom considerarmos a opinião de outros escaladores,
principalmente na avaliação do grau sugerido pelo
conquistador. É bom considerar que qualquer movimento é
mais fácil numa via já conquistada do que numa conquista,
onde em certos momentos, até o simples abrir do gatilho de
um mosquetão é um verdadeiro sacrifício. Por
esta razão, há situações em que os conquistadores
determinam o grau de "sua via" e logo na primeira repetição,
outros escaladores acabam por decotá-la, gerando em certos
momentos até algum desacordo.
Concluímos que, no momento da conquista, a via realmente
poderá parecer mais
difícil do que uma simples repetição.
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