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Entrevista Allan
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A Barrinha, no Rio de Janeiro, é um dos points onde se encontram as vias mais difíceis de escalada esportiva do Brasil, como a Mr. Bill, o segundo Xc do País, aberta por Luis Claudio Pita e Gustavo Nassar. Poucos são os escaladores com nível técnico suficiente para mandar semelhante via. Em junho deste ano, porém, Allan Rodrigues entrou para este seleto grupo, tornando-se o sétimo escalador a encadená-la. Mesmo com o dia nublado e uma chuvinha intermitente, Allan não se fez de rogado e mostrou na pedra toda a sua dedicação ao esporte. A Fator2 não podia deixar passar a oportunidade e fez esta entrevista com o escalador, que nos conta um pouco da sua mais recente façanha.
Fator2 - Antes da Mr. Bill, quais as vias mais difíceis que você tinha encadenado?
Allan - Bem, antes da Mr. Bill, as mais difíceis foram Vaca Louca (Xb) e Crux no Filezão (Xa), entre outros nonos graus. Decidi testar outras vias e me senti bem na Mr. Bill, então resolvi tentá-la.

Fator2 - Quantos movimentos tem a Mr. Bill e como são as agarras? Há descansos?
Allan - A Mr. Bill tem regletes muito pequenos, alguns com um quarto de falange. No total, são 85 movimentos, com seis boas agarras, um abaulado e 78 regletes. Há um bom descanso na primeira parte, onde já se pega um IXa, e outro descanso mais ou menos na parte em que tem um IXc. Daí em diante, você entra num IXb explosivo até o final e sem descanso, com um movimento chave que é um bote com a mão direita numa agarra que está na esquerda, meio estranho...

Fator2 - Desde a primeira vez em que você entrou nela até o dia da cadena, quanto tempo se passou? E quantas vezes você foi até a Barrinha para tentá-la?
Allan – Bem, desde o primeiro dia se passaram mais 23 dias, em sete idas à Barrinha. Tentei a via 21 vezes no total.

Fator2 - Você trabalhou a via em top rope, guiando ou um pouco dos dois?
Allan – Só trabalhei a via guiando, afinal eu ia tentar encadená-la guiando e acho que o top rope só iria me atrapalhar. O negocio é simular ao máximo o que você quer fazer.
Fator2 - Você fez algum treinamento específico para a Mr. Bill? Você segue algum treino regular para se manter em forma? Como é? Inclui sessões em muro ou na academia?
Allan – Específico, não. Eu apenas mantive a minha rotina de treinamento, que basicamente consiste em vias no
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muro, de 20 a 80 movimentos, e campus board pelo menos uma vez na semana. Também pedalava na subida do Alto da Boa Vista para manter o aeróbico em dia.

Fator2 - Você tem algum cuidado especial com a alimentação?
Allan – Sempre procurei me alimentar bem e comer coisas naturais, mas tem um fato curioso que aconteceu. Parei de comer carne pouco antes de tentar o Mr. Bill e me senti muito forte, parecia que o meu corpo estava mais leve e limpo e isso ajudou muito.

Fator2 - Toma algum tipo de complemento alimentar?
Allan - Não, acho que com uma alimentação natural o seu corpo não precisa de mais nada, pois se torna completo e produz tudo. A única coisa que eu tomo é um suco que leva 25 maçãs, alface, batata e sementes germinadas, que eu chamo de Suco da Cadena.
Fator2 - Fora a Barrinha, quais os lugares em que você mais gosta de escalar?
Allan – Eu gosto de escalar em todas as falésias do Rio, as de que eu mais gosto são a Barrinha e o Campo Escola 2000, mas, principalmente, o Totem do Pão de Açúcar.
Fator2 - Você chega a montar no muro lances parecidos com as vias que está tentando mandar?
Allan – Às vezes sim, mas só quando eu acho que há necessidade. Normalmente eu prefiro tentar o lance na rocha mesmo.

Fator2 - Quanto tempo livre você tem para escalar e treinar? Como é a sua semana?
Allan – Bem, durante a semana eu posso escalar das seis da manhã até às três da tarde, todos os dias. Trabalho no muro da academia Body Planet, das 17 às 20h, e, às vezes, treino no muro à noite depois do trabalho. Fator2 - O que foi mais difícil na hora de encadenar?
Allan – O mais difícil foi o movimento que tem um dinâmico cruzado. Teve um dia, durante a Copa do Mundo, que eu estava na cadena e aí fiz o tal dinâmico, com a mão direita cruzada na agarra da esquerda, e bem na hora em que eu peguei a agarra o Brasil fez um gol. Escutei toda aquela gritaria e comecei a pensar que o Brasil todo estava torcendo por mim. Comecei a rir, aí ficou muito difícil manter a concentração e... caí. No dia da cadena, por incrível que pareça, eu não senti nada, o meu braço nem tijolou.
Allan Rodrigues tem patrocínio Deuter e apoio Lechen.
Fotos: Pedro Stabile e Marcela Chaves. |
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